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10 Heurísticas de Nielsen - Dicas para melhorar a Usabilidade de sua Interface

UX Design Interaction Design 9 min read

Veja nesse artigo, quais são as 10 Heurísticas de Nielsen para melhorar a Usabilidade de sua Interface.

Pensar em Design Digital significa pensar em maneiras de projetar interfaces que não gerem insegurança ou estresse para o usuário; e principalmente, garantam o resultado esperado pelo projeto.

Algumas das principais características de interfaces funcionais são a transparência, quanto ao resultado das ações executadas, e a garantia de que todas as ações serão realizadas de forma eficiente. Porém, o principal papel do UI Designer é evitar que o usuário precise de um manual de instruções para navegar por seu site.

heurísticas
Imagem - David Travis (@dtravisphd) unsplash

Heurísticas

Em 1990, Jakob Nielsen e Rolf Molich, renomados consultores de usabilidade na web, propuseram os 10 princípios gerais para o Design de Interface do Usuário. Esses princípios, chamados de Heurísticas, são regras gerais, e não diretrizes específicas de usabilidade; essas devem ser consideradas na hora de fazer ou atualizar o Design de um site.

Uma das principais vantagens de se aplicar uma avaliação heurística em um projeto de desenvolvimento de interface é a sua rapidez . Em poucas horas de análise, o UI Designer consegue coletar grandes quantidades de informação referente à problemas em sua interface. Além disso, a avaliação pode ser aplicada a qualquer momento do projeto, do início ao fim.

No entanto, ela é geralmente utilizada em dois diferentes cenários: durante e após a execução de um projeto. Durante o projeto, a avaliação pode ser aplicada como a base para um desenho de interface funcional. Isto é, que apresente boa navegação, interação e experiência. Após o projeto, elas são utilizadas por profissionais especialistas em usabilidade; eles testam o produto e identificam problemas nos sistemas de acordo com cada uma das dez heurísticas.

Seguindo essas diretrizes, o Product Designer irá melhorar muito a usabilidade de suas interfaces e, consequentemente, a experiência dos usuários.

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Como conduzir uma avaliação Heurística

A avaliação heurística é uma técnica de engenharia de usabilidade (testes de usabilidade) muito utilizada por UX Designers. Seu principal propósito é auxiliar os profissionais a encontrarem os problemas de usabilidade presentes em suas interfaces; além de solucioná-los através de estratégias de Design interativo.

Em geral aconselha-se que seja feita por profissionais muito experientes. Mas é uma boa prática para conseguir encontrar problemas mesmo para pessoas que ainda não possuem vasta experiência.

Comumente, mais de um profissional executa a avaliação heurística de uma interface e os resultados são avaliados, vindos de diferentes perspectivas. Como a experiência e percepção de pontos negativos e positivos de uma interface varia de pessoa para pessoa, convidar outros UI Designers para avaliar o protótipo pode proporcionar a entrega de um produto final de qualidade ainda maior.

Nos casos em que a avaliação heurística é feita por mais de um profissional, cada um deles deve inspecionar a interface individualmente e sem contato com os demais. Dessa forma, é possível obter resultados independentes e imparciais, de forma a realmente agregar valor à interface desenvolvida.

Apesar de não fornecer uma maneira sistemática de encontrar e solucionar problemas de usabilidade, a avaliação heurística consegue explicar cada ponto encontrado e apontado; muito mais do que somente enxergar, o UX Designer deve sempre buscar compreender e buscar a solução dos problemas que estão na sua frente.

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10 Heurísticas de Nielsen:

1) Visibilidade do status do sistema

O principal objetivo de um sistema é manter os usuários informados a respeito do que acontece no exato momento de uma interação. Isso é feito através de feedbacks instantâneos que servem para orientar e conduzir o usuário pelo caminho correto.

Um exemplo disso é o YouTube. O site disponibiliza, do lado direito do vídeo selecionado pelo usuário, uma barra lateral informando qual vídeo estamos vendo, quais já foram assistidos e quais serão os próximos.

Exemplo de visibilidade do status do sistema — Imagem — YouTube screenshot

2) Correspondência entre o sistema e o mundo real

É da natureza do ser humano encontrar conforto naquilo que lhe parece familiar. Uma interface funcional e acessível deve falar a linguagem do usuário. Isto é, utilizar palavras, frases e conceitos que sejam familiares ao usuário.

Quando se estabelece essa comunicação, é possível utilizar ícones, por exemplo, para representar uma determinada ação, como o símbolo de telefone e um smartphone significa fazer ligações.

Menu inicial de um celular — Imagem — basictechtricks ícones

Uma interface com boa usabilidade segue convenções do mundo real, trazendo informações de maneira natural, lógica e familiar — para isso, todas as nomenclaturas, ícones e imagens precisam ser contextualizadas e coerentes com o modelo mental do usuário.

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3) Liberdade e controle do usuário

O UI Designer nunca deve impor algo ao usuário ou tomar decisões por ele. O profissional de usabilidade de interface deve saber sugerir uma ação e não induzir ou pressionar o usuário para um determinado caminho. 

É muito importante que o Designer de Interface dê liberdade para que o usuário possa decidir e tomar as ações que quiser; com exceção de regras que vão contra o sistema ou interferem em alguma funcionalidade.

No entanto, é preciso sempre ter em mente que os usuários geralmente escolhem funções de uma interface por engano. Por isso, precisarão de uma saída de emergência claramente marcada, permitindo ações de undo e redo e alterações que permitam ao usuário retornar ao ponto anterior.

Botões de desfazer e refazer presentes na barra de acesso rápido — Imagem — word undo redo screenshot
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4) Consistência e padrões

Quando utilizam uma interface, os usuários não devem ter que adivinhar se palavras, situações ou ações diferentes significam, realmente, a mesma coisa.

 É fundamental que uma interface funcional siga as convenções da plataforma, mantendo padrões de interação em diversos e diferenciados contextos.

O UX Designer deve criar uma interface que fale a mesma língua o tempo todo e trate coisas similares da mesma maneira; facilitando que o usuário identifique o padrão existente naquela interface.

Geralmente, o menu de um email seguirá esse padrão de — Imagem — gmail screenshot
Linkedin para Designers. Você está utilizando corretamente?

5) Prevenção de erros

Melhor do que boas mensagens de erros é um projeto que previna que esse tipo de problema ocorra em primeiro lugar. Quando falamos de UX Design, os erros geralmente ocorrem quando um usuário cria um mapa mental da interface que não corresponde à realidade, e tenta realizar ações incompatíveis com a situação.

O papel do UI Designer aqui é o de eliminar as condições propensas a erros ou então verificar todas as ações de interação existentes; além de sinalizar bem as ações radicais (como excluir arquivos) e apresentar ao usuário uma opção de confirmação, de modo que ele assuma as consequências da ação.

Pop-up de confirmação de um ação de deletar — Imagem — tweet screenshot
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6) Reconhecer ao invés de lembrar

Uma das funções do Design é minimizar a carga de memória imposta ao usuário. Até porque, a capacidade de memorização de um sistema é grande, tornando objetos, ações e opções visíveis sempre que possível. O usuário não tem a obrigação de reaprender o caminho feito para chegar em uma determinada seção ou página de uma interface.

O Word exibe as fontes utilizadas no momento e no passado, de modo a facilitar a usabilidade do sistema — Imagem — word fontes screenshot
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7) Flexibilidade e Eficiência

A interface desenvolvida pelo Designer de Interface precisa ser útil e atender tanto os usuários inexperientes quanto os experientes. Os inexperientes precisam de informações mais detalhadas. Porém conforme ele vai se acostumando com a interface, ele começa a sentir uma necessidade maior de realizar as ações mais rapidamente e passa a usar e customizar, por exemplo, atalhos de teclado.

É fundamental que o UI Designer permita que os usuários de sua interface personalizem ações frequentes, como atalhos de teclados e preenchimento automático de dados. Isso aprimora a eficiência e flexibilidade de uma interface.

Atalhos de teclado — Imagem — Wikipedia atalhos
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8) Estética e Design minimalista

O UI Designer não deve considerar estética e Design como um plus . Ambos fazem parte do todo que proporciona a experiência ao usuário.

O Designer Visual deve criar diálogos que não contenham informações irrelevantes. Isto é, evitar o uso desnecessário de elementos visuais que possam confundir o usuário. Cada unidade extra de informação em um diálogo compete com uma unidade de informação relevante e acaba por diminuir sua visibilidade.

Estética minimalista — Imagem — Aela minimalista
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9) Auxiliar usuários a reconhecer, diagnosticar e recuperar erros

Apesar de prevenir erros ser algo de extra importância para o UI Designer, mais importante ainda é auxiliar o usuário a identificar e encontrar soluções para problemas encontrados.

Por isso, mensagens de erro devem ser expressas em uma linguagem simples; sem códigos, clara e que indique precisamente o problema e sugira uma solução.

Display de uma página de error — Imagem — error page

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10) Ajuda e Documentação

Uma interface intuitiva e clara acaba por evitar, em diversas situações, a solicitação de ajuda. Porém, ainda assim é importante que o UI Designer mantenha itens de auxílio para certas ações ao alcance do usuário, caso ele precise de ajuda.

Outra solução muito popular e comumente adotada por Designer Visuais são os FAQs; compilam as dúvidas mais frequentes e suas respectivas soluções.

A página da Amaro, por exemplo, possui um menu voltado às dúvidas mais frequentes — Imagem — menu ajuda

As heurísticas possuem uma grande importância para UI Designer, auxiliando na elaboração de projetos de interfaces digitais. O ideal, em qualquer situação, é que o desenvolvimento de uma interface comece já com as heurísticas aplicadas, evitando assim ajustes caros e morosos no futuro.

Em um cenário de transformação digital, uma interface intuitiva que possua um Design minimalista e seja de fácil compreensão engaja os usuários tanto no mundo online quanto no mundo físico. E a melhor forma de fazer isso é seguindo as 10 heurísticas de Nielsen e Molich . Desta forma, o Designer Visual cria interfaces com boa usabilidade e utilidade e que sejam convenientes para o usuário.

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Você aplica em seus projetos de Design as 10 Heurísticas de Nielsen? Nos conte suas experiências e como isso tem ajudado nos resultados desses projetos.

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