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5 Oportunidades Em UX Design Em 1 mês — Entrevista Com Felipe Borges

Carreira 9 min read

Olá, Felipe! Antes de tudo, nos conte um pouco da sua jornada até agora

Eu me formei em desenho industrial, em 2006. No último ano a gente escolhia uma especialização, e eu acabei seguindo para Design Gráfico, muito mais por questão de mercado de trabalho, na época.

Depois que me formei, eu segui o fluxo da maioria, que era ir trabalhar em agências de publicidade.

Meu trabalho era exclusivamente com Design Gráfico mesmo, campanhas, branding, folder, esse tipo de coisa. Somente no offline porque não tinha nada de digital na época.

Felipe Borges

Passei por algumas agências e em 2012 eu acabei me cansando desse mundo e resolvi seguir carreira solo. Comecei como freelancer e acabei abrindo um escritório pequeno de design, com mais uma pessoa. Foi nessa época que eu comecei a ter contato com o digital, web e aplicativos.

Confesso que antes eu tinha até um certo preconceito. Eu achava que não gostava da parte digital. Mas começaram a surgir demandas em minha agência para essa área e não tinha como fugir disso, pois precisava ganhar dinheiro. Então, eu precisei aceitar esses trabalhos, não dava mais para ficar só offline.

Foi a partir disso que comecei a tentar estudar por conta própria e acabei gostando da área. Aliás, comecei a gostar tanto que acho que hoje o cenário se inverteu: eu praticamente não faço mais nada de design gráfico, e nem gosto muito mais de fazer. E já a parte digital, acabei me apaixonando.

Quais foram, e ainda são, os maiores desafios dessa mudança do Gráfico para o Digital?

Eu acredito que existe um desafio técnico, já que são conhecimentos diferentes. Mas, em um sentido mais abrangente, você tem sim conceitos que são os mesmos, como tipografia e teoria das cores.

Já em um sentido mais específico, os conceitos técnicos são bem distintos. Por exemplo: preparar o arquivo para impressão, formato de papéis, tipos de papéis, e do lado do digital temos os formatos de telas e os tipos de dispositivos diferentes.

Minha maior dificuldade foi principalmente na parte de UX. O UI não foi tão complicado porque eu já tinha uma certa vivência, por conta das coisas que eu desenvolvia na minha agência. Porém, a parte de pesquisa, de fazer o Discovery, isso eu não tinha muito claro na minha cabeça. Então, essa foi minha grande barreira, ainda hoje estou estudando e caminhando nessa parte, mas estou gostando muito dos desafios.

ux
Sketches para case study do aluno Felipe Borges
Dica de Leitura: Design Thinking: Saiba Como Aplicá-lo em Seus Projetos

Como foi sua experiência na busca da primeira oportunidade de trabalho como UX/UI designer?

O processo de busca foi muito louco porque eu comecei a fazer o bootcamp Master Interface Design em Dezembro de 2017 e, ao mesmo tempo, comecei a ouvir os podcasts da Aela, os vídeos e palestras. Enfim, tudo o que vocês postavam, e fui tomando gosto. Segui todas as dicas, e comecei atualizando meu LinkedIn, passando meu currículo para inglês. Resumindo, eu fiz tudo o que os mentores falavam.

Um dia eu falei “ah, vou fazer um teste”. Isso foi sem pretensão alguma. Comecei a procurar algumas vagas pelo LinkedIn para ver o que rolava. Eu não tinha pretensão de conseguir nada naquela hora. Eu achava que iria conseguir uma oportunidade somente quando estivesse lá no nível 3 ou 4 do curso.

Porém, para minha surpresa, começou a dar muito certo. Eu até falei assim: “não é possível, tá dando muito certo”. Realmente, como o Felipe sempre fala, essa área está mega aquecida. Ainda era janeiro (2018), uma época que ninguém contrata, época de festas, férias. Porém, mesmo assim, eu comecei a receber ligações para entrevistas.

Processos seletivos

Eu passei por cinco processos seletivos ao mesmo tempo. Um na Quinto Andar, que é um startup que terceiriza todo o processo de aluguel de imóveis, fiador, etc. Na Fjord, que é um braço digital da Accenture. Outro na FTD, que é uma editora da área de educação, e agora eles estão abrindo um braço digital para transformar todos os livros em apps. Na Catho, uma empresa de vagas de emprego, e também na DogHero.

Todos os processos foram bem semelhantes, todas elas, com exceção da Catho, eu consegui pelo LinkedIn. Isso é bem legal, pois eu não tenho Linkedin Premium, nada disso, mas eu segui todas as dicas dadas à risca.

Em todas as entrevistas, mostrei 2 cases fictícios que montei porque eu não tinha muito no portfólio. Esses cases mostravam justamente essa questão do processo UX, desde a ideação, passando por persona, pesquisa, brainstorming.

Fiz esses cases seguindo o que o curso falava, apesar de não estar muito avançado nos níveis ainda. Eu fui dando uma olhada em algumas aulas para frente e também pesquisei bastante na internet e livros.

Esses 2 cases foram o que me salvaram nas entrevistas. Meu portfólio tinha bastante coisa digital, mas eles mostram basicamente o resultado final das telas, o design puramente e um texto explicativo, mas estava longe de ser um descritivo de todo processo.

Wireframe para case study do aluno Felipe Borges
Dica de Leitura: Portfólio de UX Design: 6 Dicas Essenciais para Montar o Seu

Etapa final

Para a minha surpresa, fui avançando em todos os processos seletivos que estava participando. Acabei sendo aprovado em todas, menos na Quinto Andar.

Fiquei extremamente surpreso, pois tudo começou como uma brincadeira, sem grandes pretensões, e agora tinha chegado a hora de escolher para qual dessas excelentes empresas eu gostaria de trabalhar.

No fim das contas, acabei decidindo pela DogHero, justamente pela questão do UX. Acredito que o desafio e meu aprendizado serão muito maiores. Por ser uma Startup vou acabar fazendo um pouco de tudo, tanto UI quanto UX, vou ter que ir a campo, conversar com usuário, fazer testes e também prototipar.

Nos conte como está sendo até agora na DogHero

A DogHero é uma Startup com cerca de 50 funcionários. Eles são como se fosse um Airbnb para pets. Aqui em São Paulo estão crescendo bastante, já passaram por algumas rodadas de investimento e estão evoluindo, se internacionalizando. Inclusive já começaram na Argentina, e estão expandindo também para o México, logo mais.

Comecei recentemente na empresa, menos de 1 mês, para mim a experiência está sendo bem diferente, pois fiquei cerca de 4, 5 anos trabalhando como autônomo, somente eu e mais uma pessoa, e agora estou em empresa com um monte de gente, vários departamentos, etc.

Algo muito interessante que percebi é que a cultura da empresa é algo muito forte e os fundadores fazem questão de selecionar a dedo as pessoas para que todas tenham uma mentalidade muito semelhante.

Eu estou gostando muito. A forma como todos parecem vestir a camisa da empresa, a maneira como todos me receberam muito bem. Inclusive, eles tem um processo de on boarding bem bacana: nos 2 primeiros dias eu só conversei com várias áreas que me explicaram o funcionamento da empresa. Foi algo bem organizado.

UI para case study do aluno Felipe Borges

O que, na sua cabeça, não era possível você fazer antes de começar o Bootcamp MID e que hoje se tornou realidade?

Com certeza a parte de UX e pesquisa. Eu realmente não tinha a menor noção. Mesmo sendo autodidata na parte de UI, minha parte de UX era zero. Não sabia nem o que era o conceito, basicamente.

Não só o MID me abriu muito a cabeça, mas também as dicas que o Felipe e os mentores dão o tempo todo nas redes sociais.

No meu ponto de vista, é importante também ficar atento aos diversos canais e redes sociais, ao podcast, as palestras que tem no YouTube. Não só no curso em si. Você consegue pescar várias dicas nesses outros locais, como livros. Eu mesmo comprei 5, 6 livros que são básicos. Além de dicas de outros canais, de quem seguir no Facebook, dicas de como agir no LinkedIn, como montar um currículo, etc. Eu lembro que eles deram exemplos de currículos bacanas, de portfólio.

Enfim, eu acho que tudo isso colaborou para eu ter conseguido minha primeira vaga na área de UI/UX design tão rapidamente.

Dica de Leitura: LinkedIn para Designers - Dicas Para Melhorar Seu Perfil

Quais são seus planos profissionais para o futuro?

A minha ideia é finalizar o curso inteiro até o final deste ano e começar a evoluir cada vez mais na área de UX.

Eu quero também me aprofundar em metodologias ágeis, estudar um pouco de Design Thinking, esse tipo de coisa. Sair um pouco puramente do visual. Acho que nessa área para você crescer precisa somar ao visual a parte mais de pesquisa, inteligência e planejamento.

Em relação a minha carreira, eu nem pensei muito nisso ainda, pois acabei de entrar na DogHero. Mas eu acho que uma evolução de onde eu estou seria virar um PO (Product Owner), um PM (Product Manager), algo desse tipo.

A Toptal é algo que quero tentar entrar daqui há alguns meses. Pelo que o Felipe e os mentores falam é muito bom, e me interessa.

Se alguém quiser migrar hoje do Gráfico para o UX/UI, quais seriam as dicas que daria para essa pessoa?

Hoje em dia na internet tem tudo, inclusive foi navegando que eu descobri o Bootcamp Master Interface Design. Então, seguir os principais canais tanto YouTube, Linkedin; tentar identificar quem são os principais influenciadores e seguir essas pessoas e absorver tudo o que eles falam.

Além disso, eu acho que livros são muito importantes. Tem livros básicos que você tem que ler, como "O design do dia-a-dia" e o "Não me faça pensar", enfim, vários livros que são obrigatórios.

E aí procurar um curso, mas algo que seja mais profundo, como o MID ou algo do tipo, nada básico que você faça rapidamente. Eu mesmo já penso em fazer outros cursos daqui alguns meses, talvez fazer algum curso da Interaction Design Foundation.

Mas o principal, é que você deve estar com muita vontade, paixão, eu acho que esse foi o principal. Você deve ser “faca nos dentes”, tem que ter uma mudança de mindset, tem que falar para você mesmo, “eu vou conseguir de alguma forma e vou fazer”; ai é se dedicar 24 horas a isso.


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