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Aela.io

5 Aprendizados da UX Conference da NN/g, segundo Jon Vieira

Design de Interação 8 min read

Eu — Jon Vieira — participei da UX Conference London, organizada pela Nielsen Norman Group (NN/g) — referência em Design de Experiência.

A UX Conference ocorre durante uma semana inteira. Ao longo dos dias, há diversos workshops diários, cujos conteúdos compreendem:

  • Conhecimentos em pesquisas;
  • Métodos;
  • Processos;
  • Tendências;
  • Gestão do UX e UI Design.

Esse evento é um dos mais importantes no meio do Design; possibilita que seus participantes consigam, inclusive, uma certificação em UX, caso sejam concluídos 05 workshops e passem nos testes referentes a esses cursos, com nota acima de 80%.

Atualmente, sou Master Certificados em UX pela NN/g, ou seja, já participei e fui aprovado em 15 workshops.

UX Conference

Nessa penúltima UX Conference, que aconteceu em Londres em março de 2018, nós nos dividimos por entre os workshops e resolvemos compilar os 05 principais aprendizados que tivemos ao longo desses dias cheios de conhecimento e trazer aqui para vocês.

Claro que foi uma tarefa difícil, mas tentamos resumir da melhor maneira possível para poder passar para vocês um pouquinho desse conhecimento.

Confira na sequência os meus aprendizados e um pouco mais sobre a NN/g.

Se você quiser assistir a palestra completa que fizemos no nosso canal do Youtube:

Norman, Nielsen e Tognazzini

A Nielsen Norman Group (NN/g) é uma das maiores referências em Design de Experiência que existe atualmente. O grupo contribui com artigos, eventos e consultorias para o mercado de UX/UI.

Por trás dessa empresa existem três grandes personalidades: Don Norman, Jakob Nielsen e Bruce Tognazzini.

Don Norman

Autor do livro The Design of Everyday Things é conhecido por seu vasto conhecimento sobre Design de Experiência e Usabilidade.

Norman baseia seu trabalho em ajudar empresas a direcionar seus negócios para o Design Estratégico. Levando em consideração o Design Thinking e como que essa ferramenta pode ajudar a implementar inovações dentro das empresas.

Ele trabalhou na Apple como Arquiteto de experiência do usuário e trabalhou também na HP Hewlett-Packard, antes de fundar juntamente com Jakob Nielsen a NN/g.

Dica de Leitura: O que é Design Thinking e como Aplicá-lo em seus Projetos

Jakob Nielsen

Doutor em interação homem-máquina, Jakob possui um grande trabalho baseado em usabilidade na Web, o qual realizou enquanto trabalhava na Sun Microsystems.

Em 1998 se juntou a Don Norman para fundar a Nielsen Normam Group.

Possui uma lista extensa de livros publicados bem como muitos apelidos que fazem referência a sua expertise em usabilidade. Já foi chamado de guru, rei, czar, pioneiro da usabilidade, entre outros.

Bruce “Tog”

Tog foi convidado por Norman e Nielsen para se juntar a NN/g.

Bruce trabalhou durante 14 anos na Apple e é responsável pelo grupo Apple de interação humana. Desenvolveu a primeira interface de interação da Apple e possui um longo trabalho baseado em experiência do usuário.

Além de ser um expert em interação, Tog também é um inventor, possuindo mais de 50 patentes em seu nome.

Com certeza ter esses três grandes nomes do Design como fundadores, faz da NN/g uma empresa diferenciada e uma referência em todo o mercado de Design de Experiência.

Jon e Bruce

05 Aprendizados da UX Conference

A minha escolha de workshops foi basicamente baseada em Mobile UX e Mobile Multichannel. Optei por essa linha de workshops porque é condizente com o que eu trabalho atualmente.

1) Todos temos Fat Fingers

No momento do desenvolvimento de uma interface é importante tomar como padrão que todos os usuários possuem dedos grandes, os famosos Fat Fingers.

Dessa forma, podemos garantir que a especificação da interface possibilitará que nenhum usuário tenha problemas no momento da interação.

A NN/g possui uma regra para essa margem de segurança: 1cm x 1cm. Ou seja, utilizando-se dessa regra é possível garantir que todos os usuários tenham a mesma experiência positiva.

É claro que essa regra, dita pela NN/g, não tem que ser seguida a ferro e fogo. O próprio Google e a Apple possuem especificações diferentes dessas para suas interfaces.

Dica de Leitura: Grids - Como Usar Esse Sistema Para Designs Responsivos?

2) MAYA: Most Advanced Yet Acceptable

O princípio MAYA significa ser o mais avançado, mas ainda aceitável.

É natural pensar em ideias criativas, fora da caixa e, até, malucas. Mas deve existir um limite para toda essa criatividade: a aceitação do usuário.

Não adianta criar algo totalmente inovador, mas que não é aceito pelo usuário. Ou porque ele não entende ou porque ele já está acostumado a interagir de uma outra forma.

Inventar é necessário, mas inventar demais pode ser prejudicial.

3) Ilusões e Gestalt

A Gestalt é uma teoria da psicologia que, entre muitas coisas, trata de alguns pontos de Design, como similaridade, simetria e agrupamentos. É bem interessante e muito importante se você quiser incrementar sua base de conhecimento em Design.

Um outro conceito bem interessante abordado na conferência foi o de Ilusões: de continuidade e de completude.

A ilusão de continuidade é usada para indicar para o usuário que aquele conteúdo ainda não terminou e que você pode interagir com a interface para ver mais conteúdo.

Um exemplo são os cards em menus horizontais. Sempre aparecem parte dos cards, indicando que basta o usuário deslizar para o lado para continuar vendo o conteúdo.

Por sua vez, a ilusão de completude é o oposto da ilusão de continuidade. Ela acontece quando a interface não indica para o usuário que existe continuação do conteúdo, fazendo com que ele não interaja e pense que não há mais nada para ser consumido.

Dessa forma, é importante o Product Designer sempre ter em mente que é necessário fazer as indicações necessárias para causar no usuário a ilusão correta de acordo com os objetivos, seja de continuidade ou de completude.

4) Jogo do custo x benefício

Podemos colocar o conceito de utilidade dentro de uma pequena fórmula: A utilidade é igual ao benefício esperado menos o custo esperado:

Utilidade = benefício-custo

O usuário sempre vai escolher a alternativa que lhe trará a maximização da utilidade. E ele fará a conta acima rapidamente no momento da decisão: “qual o benefício que terei e qual o custo disso?”.

E o que é o custo do usuário? É basicamente o quanto de esforço que ele precisa fazer para lembrar o que precisa ou quer na interface. Seja a atenção que ele está precisando ter ou o quanto que ele está precisando pensar para interagir.

E o benefício precisa estar claro, o usuário precisa entender claramente o que ele irá receber de bom em troca da sua atenção ou de alguma ação específica.

Exemplo: ao acessar uma página, a primeira coisa que aparece para o usuário é uma tela de cadastro que deve ser preenchida. Se ele não entende direito qual o benefício que ele vai ter ao preencher todo o formulário de cadastro, ele vai calcular que o custo é muito mais alto que o benefício. O custo é o esforço e o tempo gasto para preencher a página. Sendo o custo maior que o benefício, ele não continuaria com a interação.

O pensamento do custo x benefício para o UX Design é importante, pois está diretamente ligado com a taxa de conversão do design de sua interface.

Dica de Leitura: Padronização em UI - Design de interfaces consistentes

5) Coisas atrativas funcionam melhor

Existe um preconceito pelo lado daqueles que trabalham com UX Design, os quais dizem que se o UX é bem feito o UI não tem importância.

Mas o que foi colocado na conferência é que as duas coisas são muito amarradas e devem trabalhar juntas.

O usuário é sim influenciado pela estética. E julga que algo funciona bem por ter um visual bonito. Assim como julga que algo funciona mal por ter um visual não amigável.

Um bom exemplo é a Apple. As pessoas tendem a achar que os produtos da Apple funcionam melhor por serem visualmente mais atrativos.

Iphone - A estética é importante também

Isso é chamado de Halo Effect: julgamento de algo por completo, levando em consideração apenas um traço ou um lado da interface.

Dessa forma, é importante sim pensar na parte estética dos produtos e interfaces, pois as pessoas julgam as coisas pelo olhar estético. Porém, não basta desenvolver algo somente visual. Como já foi dito muitas vezes, não adianta ser só bonito, tem que ser funcional também.

Um bom Product Designer deve pensar nos dois conceitos de forma equilibrada. Tanto no visual estético quanto em sua funcionalidade. Tudo deve estar amarrado de maneira estratégica.

Conclusão

A UX Conference é, com certeza, um evento incrível, de muito conhecimento e muito networking, inclusive.

É sempre bom poder aprender sobre novos conceitos, tendências e inovações no mercado de UX Design. Contudo, é importante dizer que os conhecimentos não estão restritos à UX Conference, caso você não consiga participar. Mais importante do que conseguir ir a esse evento, é manter a vontade de aprender e correr atrás de conteúdos que estão disponíveis na internet, por exemplo.

Nós queremos ajudar as pessoas a obter mais conhecimento e aprendizado sobre o mundo de UX/UI. Nossos conteúdos estão espalhados por entre artigos, videos e podcasts.

Conte com a gente para aprender mais sobre Design de Experiência.


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