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Product Designer em Portugal — Entrevista Com Israel Mesquita

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Nesta entrevista ele nos conta como que foi essa migração de carreira, o árduo processo seletivo pelo qual passou para conseguir a vaga na Seedrs em Portugal e como uma inusitada estratégia em seu portfólio o ajudou muito nessa nova jornada.

Israel, antes de migrar para UX, qual era seu background?

Passei por um longo caminho até chegar em UX!

Eu já fui engenheiro, químico, soldado do exército; já trabalhei em controle de qualidade também. Mas nada disso me agradava. Foi então que eu decidi entrar numa faculdade de Design Gráfico, em 2012. E desde o primeiro período da faculdade eu já trabalhava como freelancer na área para conseguir alguma renda.

Meu primeiro contato com UX Design foi em um estágio que fiz em uma empresa lá do Rio de Janeiro. Contudo, depois eu percebi que a vaga não era totalmente de UX. Havia mais coisas relacionadas a Web Design do que à experiência do usuário.

Mais pra frente, fui contratado como Designer Gráfico Pleno em uma outra empresa, e nessa vaga eu tive ainda mais contato com UX Design.

Infelizmente, acabei saindo dessa vaga e indo trabalhar em uma Startup. Digo infelizmente porque nessa nova oportunidade acabei me distanciando bastante da área de experiência. Como era uma Startup, acabava fazendo todos os tipos de trabalhos de Design, desde Branding até Web Design.

Foi então que eu decidi parar para rever meus caminhos. Fui estudar um pouco as oportunidades que eu queria ter em minha carreira. Decidi então que trabalhar com experiência do usuário era o que eu realmente queria fazer.

A partir de então, comecei a buscar várias referências no assunto e foi quando eu encontrei a Aela e o Bootcamp MID. Comecei, então, a fazer o curso e a montar um portfólio.

Quais as diferenças que você sentiu entre UX Design e Design Gráfico?

Quando atuava como Designer Gráfico a carga operacional era bem maior. Até havia a parte do planejamento e da estratégia, mas eram processos curtos em relação à parte operacional.

Hoje, como Product Designer, eu passo praticamente o triplo do tempo planejando e pensando em estratégia do que colocando a mão na massa.

Eu considero essa diferença boa e ruim, ao mesmo tempo. É boa porque eu estou desenvolvendo bastante o meu pensamento estratégico, o qual entendo que seja essencial para se trabalhar em empresa. Mas eu sou uma pessoa que também gosta muito da parte operacional e de colocar a mão na massa. E é disso que eu sinto falta às vezes.

Interface para site da livraria de Universidade — Portfólio Israel Mesquita
Dica de Leitura: Design - Estou Na Profissão Errada?

Como foi a mudança para Portugal e o processo para entrar na Seedrs?

Eu já tinha a cidadania portuguesa e, por conta disso, resolvi fazer um mestrado em Design Management em Portugal.

Quando cheguei lá e comecei a estudar, percebi que eu conseguiria conciliar os estudos com trabalho. Foi aí que comecei a mandar meu currículo para vários lugares. E nesse processo me deparei com essa vaga na Seedrs.

Era uma oportunidade para alguém com mais experiência, um pleno ou sênior. Por isso fiquei com receio de me candidatar, mas tomei coragem e mandei para eles o meu currículo.

Entrevista

Eles acabaram entrando em contato comigo e agendando uma primeira entrevista que ia ser conduzida toda em inglês. Esse foi meu primeiro desafio no processo. Eu não estava acostumado a falar inglês durante muito tempo, então eu tive que me desdobrar para conseguir conversar durante os 30 minutos com a entrevistadora.

Feita a entrevista, uma semana depois fui chamado para fazer a segunda parte do processo que consistia em um teste prático de UX e UI. Para esse teste, o MID me ajudou demais.

Eu sabia exatamente tudo o que eu deveria fazer. Pesquisei, estudei e desenvolvi a solução para o teste. Contudo, o maior desafio não foi realizar o teste em si, mas sim apresentá-lo totalmente em inglês, novamente. Acabei improvisando bastante coisa na apresentação porque eu não havia tido tempo para estruturar algo melhor. Cheguei lá, abri meu computador, o Sketch e comecei a apresentação, mostrando o problema e as minhas soluções.

Terminei a apresentação e fui para a casa sem saber se eles tinham gostado ou não do que viram. No dia seguinte entraram em contato para agendar a terceira e última fase do processo: uma entrevista com o CPO. Confesso que achei que essa última fase ia ser mais tranquila, afinal o pior já tinha passado. Infelizmente eu estava enganado.

Entrevista com o CPO

O CPO começou a fazer várias perguntas técnicas e questionamentos sobre meu background e sobre as minhas experiências como Product Designer. E eu deixei bem claro para ele que eu não tinha uma vasta experiência, mas acreditava ter a experiência necessária para aquela vaga.

No final da entrevista, ele me disse que a empresa havia gostado de mim. E que poderia ter a chance de passar por um período de experiência de 3 meses, mas que eu precisaria melhorar muito meu inglês e me desenvolver bastante para, eventualmente, conseguir me efetivar na vaga.

Dito e feito, poucos dias após essa entrevista, me ligaram oferecendo a oportunidade de trabalhar como Designer Júnior passando por um período de 3 meses de experiência.

Como você estruturou o seu portfólio?

Acho muito legal essa pergunta porque depois de um tempo eu descobri que a Seedrs me contratou não por conta da qualidade e complexidade dos meus projetos do portfólio, mas por causa do Storytelling que eu apliquei.

Como eu tenho um background em Design Gráfico, eu decidi criar uma identidade própria para o meu portfólio. Dessa ideia nasceu o D-Hero (Design Hero) que é o personagem que eu aplico junto com o Storytelling em meu portfólio.

Foi muito interessante ver que a empresa havia considerado mais importante essa questão do Storytelling do que os meus projetos em si.

Dica de Leitura: 6 Dicas Essenciais para montar seu portfólio de UX Design
Exemplo de Storytelling — Portfólio Israel Mesquita
Desenho de Wireframes — Portfólio Israel Mesquita
Utilização de Cart Sorting — Portfólio Israel Mesquita

Mas além do Storytelling, o que mais foi importante para o seu portfólio?

O que eu acho extremamente importante de colocar no portfólio é todo o caminho que você utilizou até chegar no layout final. As empresas gostam de ver isso, elas querem saber como que você pensa, qual é o seu raciocínio para resolver algum desafio.

Portanto, a minha dica é ir além dos layouts finais, e mostrar todo o processo que você levou até chegar nesse resultado.

Quais estão sendo seus desafios nessa nova área?

Eu digo que um dos meus principais desafios é o da humildade. Acontece quando você sai de uma área que você já domina e vai para uma outra na qual você ainda é iniciante.

Essa migração faz com que a gente se sinta inseguro e despreparado. Mas ao mesmo tempo é quando temos a oportunidade de aprender mais rápido e ter o privilégio de poder errar. A cobrança em cima de um iniciante é bem diferente do que a cobrança em cima de um sênior, por exemplo.

Eles vivem me dando feedbacks e eu estou aprendendo constantemente com isso. E eu não preciso ficar fingindo ser mais ou menos experiente, eu simplesmente sou honesto com todos e isso tem se mostrado muito importante.

Outro desafio grande pelo qual eu estou passando é o inglês. Eu nunca havia trabalhando em um lugar onde eu preciso falar inglês praticamente em 100% do meu tempo. Apesar do escritório ficar em Lisboa, nós temos bastante contato com o escritório de Londres, por isso que saber inglês é mandatório.

Projeto Wikipedia — Nivel 2 Bootcamp MID — Israel Mesquita
Dica de Leitura: 7 Dicas para Você se Tornar um Designer Internacional

Como que o curso MID te ajudou nesse seu processo?

O curso me ajudou em muita coisa. Primeiro na questão do aprendizado na prática. Quando você faz a migração de Design Gráfico para interface você precisa de muita prática. E o MID proporcionou isso pra mim.

Se não fosse pelo curso eu estaria tendo muito mais dificuldades hoje em dia e talvez até nem tivesse obtido essa oportunidade de trabalho.

Além disso, o curso abriu a minha cabeça para todas as oportunidades que existem quando falamos em UX/UI. Antigamente eu associava Design de Experiência com web e mobile apenas. Mas vocês me mostraram um leque de diversas outras áreas onde eu posso trabalhar e aplicar os conceitos de UX/UI.

Quais são os seus planos para o futuro?

Desenvolver meus conhecimentos em Product Design e no inglês. Mais pra frente eu pretendo fazer os cursos do NN/g e participar da UX Conference porque as empresas europeias valorizam muito esse evento e a NN/g.

Quero continuar crescendo na Seedrs, ser promovido e, quem sabe, conseguir ser transferido para Londres. Isso seria algo bem interessante para a minha carreira.

Projeto Wikipedia — Nivel 3 Bootcamp MID — Israel Mesquita

Alguma dica para quem está migrando para UX?

A minha dica é: sonhe grande e tenha paciência.

Você provavelmente não vai conseguir alcançar seu maior sonho logo de cara, mas toda conquista que vier antes disso é um degrau.

Tenha planejamento e ambição, saiba aonde você quer chegar, onde deseja morar e trabalhar, mas não desista se não estiver sendo fácil. É como comentei, às vezes é preciso ir construindo os degraus da escada. Portanto tenha paciência, mas continue sempre sonhando grande.


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