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Aela.io

Product Designer Contratado na Quarentena – Entrevista com Jean Braga

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Dando sequência às nossas entrevistas com alunos do Bootcamp MID, hoje falaremos um pouco com o Jean Braga.

Ele nos contou um pouco como sobre sua rotina de estudos em UX Design, como foi a migração de Direção de Arte para Product Designer, como compõe seu portfólio e ainda deu uma dica interessante para conseguir oportunidades de trabalho na área.

Jean, conta um pouco pra gente sobre o seu background e como foi a migração para UX Design.

Eu já sou designer há 10 anos e trabalhei em diversas agências, sendo que a minha migração para UX aconteceu em 2018 e não foi nada simples.

Na época, a empresa onde eu trabalhava passou por uma grande crise e eu acabei sendo desligado. Vi nessa janela a oportunidade para conseguir migrar para UX Design.

Já havia um tempo que eu vinha estudando sobre UX de forma autodidata. Eu consumia diversos conteúdos gratuitos que estavam disponíveis na internet. Sempre tive muito cuidado com meus investimentos, principalmente porque sou pai de família e todo o investimento que posso fazer, eu faço por meus filhos.

No entanto, por ter sido desligado eu comecei a analisar as possibilidades de fazer uma pós ou fazer um curso livre de UX Design. Nesse momento eu encontrei a Aela e, ao analisar o conteúdo e a grade do MID, eu não tive dúvidas. Eu entendi que o curso era exatamente o que eu precisava.

O MID é um curso completo e eu tinha bastante flexibilidade de tempo e horário, poderia estudar em casa sem ter que me deslocar fisicamente para algum lugar.

Além disso, durante o aviso prévio eu já comecei a procurar vagas em UX Design. Eu não poderia ficar muito tempo desempregado e se eu voltasse para agência, eu sabia que meu processo de migração ia atrasar mais ainda.

Portanto, peguei alguns cases que eu tinha feito, inventei alguns outros e montei meu portfólio inicial. Incluí wireframes, quais foram meus desafios e todo o processo de cada projeto. E comecei a mandar meu portfólio e CV para diversas empresas.

Por conta disso, acabei conseguindo a minha oportunidade na Claro, onde fiquei dois anos. Já tive a oportunidade de conversar com vocês sobre essa minha primeira oportunidade.

Acesse nosso canal no Youtube para conferir mais entrevistas com nossos alunos!

Você comentou sobre o processo de buscar trabalho. Como que você faz para procurar vagas em UX?

Ah, legal você perguntar sobre isso!

Eu nunca dependi de ficar procurando por vagas abertas em sites ou no LinkedIn, por exemplo. Pra quem trabalha em agência, sabe como é difícil encontrar oportunidades nesse mercado.

Dessa forma, minha abordagem para conseguir minhas oportunidades foi essa:

  • Abria o Google Maps;
  • Mapeava todas as agências que existiam em um determinado bairro;
  • Anotava os contatos;
  • Ligava e mandava e-mail para eles.

Além disso, eu cheguei a imprimir diversas cópias do meu currículo e ir pessoalmente na porta de cada empresa/ agência que eu gostaria de trabalhar. Eu roubava a atenção das pessoas durante 5 minutos e contava a minha história.

Com essa abordagem, muitas empresas me respondiam "Poxa, estamos precisando mesmo de um profissional como você!" ou então "Nossa, nem estamos com vagas abertas, mas vamos conversar para nos conhecermos melhor."

Com certeza é um tipo de abordagem difícil e mais trabalhosa, mas por conta disso eu nunca fui dependente de esperar as empresas divulgarem vagas e oportunidades na internet. Eu simplesmente dava a cara para bater!

Isso me fez conseguir muitas entrevistas e me destacar mais, por essa minha motivação e vontade.

Projeto do Jean Braga | Portfólio

Você comentou do portfólio também, o que exatamente você colocou nele que fez a diferença nos processos e entrevistas?

Como comentei, minha rotina sempre foi corrida, por conta das responsabilidades com a minha família e com meus filhos.

Por isso, eu decidi investir certo tempo por dia para aperfeiçoar meu portfólio de UX, logo depois de cuidar da minha família.

Mas uma coisa bastante importante de colocar é que às vezes você não precisa perder tempo refinando seu portfólio nos mínimos detalhes. Eu não tinha tempo para refinar e deixar tudo perfeito. Então eu simplesmente mandava o portfólio para as empresas.

E isso me fez perceber que existem muitas empresas que te dão feedback com relação ao portfólio. Mesmo aquelas que não te chamam para entrevista. Isso é muito importante porque você tem a visão de outra pessoa dando dicas sobre como aperfeiçoar seu portfólio. Visões essas que eu não teria sozinho.

Além disso, um ponto crucial foi investir tempo em descrever os processos dos projetos de UX.

Nesse sentido, em um projeto do meu portfólio, eu descrevi todo o processo de brainstorming, como desenvolvi os wireframes e como foi o processo de aprovação deles.

A ideia era demonstrar os desafios, como os superei e quais foram os meus aprendizados

Portfólio Jean Braga
Dica de Leitura: Portfólio de UX Design - 6 Dicas Essenciais para Montar o Seu

Você comentou também sobre como seu tempo era escasso para os estudos. Como você fez para se adaptar?

Essa questão varia de pessoa para pessoa. Acho que cada um tem que encontrar o melhor método pra si.

No meu caso, eu comecei a estudar UX por conta lá em 2012/2013. Ná época, eu já tinha um filho. Então já naquele momento, o meu tempo era bastante dividido.

Nesse sentido, eu comecei a utilizar todos os pequenos intervalos de tempo que eu tinha para estudar. Por exemplo, antes de dormir eu consumia algum tipo de conteúdo, no celular mesmo.

Além disso, eu comecei a acordar 5h30 da manhã e estudar até as 7h30, que era o horário que eu tinha que sair para ir trabalhar. Fiz isso durante dois anos!

E foi por causa dessa rotina e adaptação que eu fui descobrindo o que funcionava pra mim. E o que funciona pra mim até hoje é estudar de manhã, quando está mais silêncio, eu estou mais disposto e minha esposa e filhos ainda estão dormindo.

Inclusive, eu estudava o MID durante esse horário, de manhã bem cedo!

A gestão do tempo realmente é algo muito importante, não só para os estudos, mas para qualquer setor de nossas vidas.

Sim, com certeza!

E estudar a distância é difícil mesmo. A gente começa animado, mas depois vai perdendo o gás. Mas é importante sempre lembrar de que investir nos estudos é algo a longo prazo.

Todas as horas que eu investi nos meus estudos, de manhã, e todas as horas em que deixei de ver meus parentes e amigos estão sendo recompensadas agora. Com a minha migração para UX, nova carreira e etc.

O tempo é a nossa moeda de troca.

Aliás, uma dica para quem está começando no MID: tenham paciência e consumam o conteúdo devagar e de forma planejada.

É muito comum começarmos o curso querendo aprender tudo muito rápido, mas não é possível absorver tudo nessa velocidade. Tem que ser aos poucos mesmo.

Além disso, utilizem a comunidade de alunos, tirem suas dúvidas. Aproveitem esses canais para se aprimorarem e esclarecerem qualquer questão que tiverem!

Como foi o processo de transição da Claro para a Descomplica?

Foi bem rápido, na verdade.

O processo na Descomplica durou cerca de 1 mês! Nesse período, eu apliquei para a vaga, conversei com o Lead, conversei com o RH e com a equipe, mostrei meu portfólio e fui aprovado. Ou seja, a velocidade foi incrível!

Tudo começou pelo LinkedIn, onde eu apliquei para a vaga. Mas, lembrando daquela mentalidade de correr atrás, não fiquei apenas nisso e mandei uma mensagem direta para o Lead UX, me colocando à disposição e indicando os links do meu portfólio.

Com isso, eu consegui uma conversa de 30 minutos com o Lead. Ele me chamou para apresentar o case para ele e depois para o restante da equipe.

Eu fiz uma apresentação bastante realista. A ideia não era mostrar um case perfeito, mas mostrar os problemas reais pelos quais eu passei e como eu consegui administrar e lidar com eles.

Eu tinha bastante profundidade nos processos, dessa forma eu conseguia sanar todas as perguntas e questões que os entrevistadores me faziam sobre o fluxo de trabalho.

Portfólio Jean Braga
Dica de leitura: 10 passos para realizar a migração para UX Design

E como é ser um UX Designer no Descomplica?

Por conta da pandemia e da quarentena, essa descoberta está sendo um pouco mais lenta do que o normal. Estamos trabalhando remotamente, por isso as interações ficam menos espontâneas.

Mas as equipes, pelo que pude perceber até agora, estão configuradas para trabalhar em um ambiente ágil. Nesse sentido, possuem um UX Designer, um PM e uma equipe de desenvolvedores para tocar as tarefas.

Eu já sinto que tudo é bastante organizado. Temos uma ferramenta para a gestão de roadmap, outra ferramenta para gestão de tarefas. Portanto, tudo é muito alinhado.

Outro ponto interessante, é a transparência da empresa. Em termos gerais, qualquer pessoa pode solicitar informações sobre o faturamento do mês, por exemplo. Percebo que a Descomplica é uma empresa que presa pela disseminação do conhecimento. O que é muito bom!

No mais, temos diversas reuniões de alinhamento, com os pares, desenvolvedores, com o diretor da área e com o próprio fundador — Marco Fisbhen.

A ideia é sempre manter todos alinhados com os projetos correntes e trocar ideias e sugestões.

Tem sido uma experiência bem bacana!

Como tem sido o processo de onboarding todo dentro de casa, por conta da quarentena?

Confesso que eu até tive medo da minha contratação ser cancelada, porque foi logo no começo de tudo.

Mas como era uma posição já planejada e indispensável, não houve qualquer possibilidade de cancelamento.

No começo, eu tive várias reuniões com o RH, online mesmo. E assisti a diversos vídeos de ambientação, falando sobre a empresa, como é o dia a dia e etc.

O mais legal é que os vídeos foram editados e produzidos de forma bem descontraída. Achei bem interessante e confesso que acho essa iniciativa primordial para qualquer empresa que queira fazer esse processo de ambientação do funcionário.

Portfólio Jean Braga

Quais são seus planos para o futuro?

Hoje, ainda tenho dúvidas se eu já tenho capacidades e habilidades para ser um líder ou um gestor no futuro.

Mas ao invés de ficar trabalhando com essas possibilidades, eu prefiro trabalhar com o que é real hoje, com o que está acontecendo agora.

Eu acredito que eu consigo me tornar um UX Designer Sênior em pouco tempo. Eu acredito na minha capacidade de aprendizado e de absorção de conteúdo.

Então, acho que a minha evolução vai seguir esse processo de forma mais natural, porque eu já estou acostumado a estudar bastante e aprender rápido.

Pra finalizar, o que você diria pro Jean do passado?

Com certeza eu diria para ele investir mais no inglês. É um conhecimento essencial na área, mesmo que você esteja trabalhando em uma empresa nacional.

Muitos conteúdos de qualidade ainda são em inglês e não possuem tradução.

E eu sinto que seu eu tivesse mais conhecimento no idioma, eu teria conseguido aprender bem mais e com mais velocidade.

Outra coisa que eu falaria para o eu do passado é: "você ainda não sabe nada sobre UX Design!"

Eu tinha uma visão completamente diferente do que é a área, então eu acho que eu daria essa dica para mim mesmo, para continuar estudando sempre.

E uma dica que eu posso dar para quem estiver estudando UX é não ficar somente com os conceitos teóricos.

Nessa área, a prática é muito importante, é o que faz a gente associar o conteúdo.

Portanto, faça exercícios, faça cases, etc. Essa parte prática é fundamental!

Dica de leitura: 7 dicas para você se tornar um UX Designer internacional

Pequena atualização

A entrevista acima foi concedida no começo do ano. Pouco depois, Jean recebeu uma nova proposta e partiu para seu terceiro desafio profissional como UX Designer, na Biz Capital. Desejamos muito sucesso nesse novo desafio!


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